domingo, 29 de novembro de 2015

Porque é tão difícil falar sobre a morte? Mas é muito necessário!

A Morte é a única certeza da Vida... mas, nós adultos não sabemos lidar com ela e não sabemos ensinar os nossos filhos a entendê-la...
Quando esse assunto surge em rodas de mães/pais vejo a perplexidade de todos quando defendo que a criança não deve ser "poupada" e que expressões como "virou estrela/anjinho", e pior, "está dormindo para sempre" são péssimas.
Explico: são expressões que não explicam que o ser amado partiu para sempre e dá a falsa ideia que um dia ele (a) pode voltar. Isso é ruim? Sim! A criança pode achar que o ser amado não voltou porque ela não merece, ou fez algo errado... E essa culpa ninguém merece!

Quando falar sobre a morte com a criança? Quando ela acontece. No desenho animado, do bichinho de estimação, ou de um familiar.
Sejamos claros com elas. E temos de dizer que isso pode gerar sofrimento e que não é errado sofrer.Se sentir triste, assustado, abandonado é normal, e não precisa ser escondido de ninguém. Falar sobre os sentimentos ajuda muito, mas como o exemplo é o melhor professor, nós - adultos - devemos ser claros e transparentes sobre os nossos sentimentos.

Temos de ser claros: tudo que está vivo um dia vai morrer. Ao contrário do que acontece nos desenhos animados, a morte é para sempre. Se as nossas crenças pessoais incluem a vida pós a morte não é errado dizê-lo, mas é útil dizer que nem todos acreditam nisso. O (a) seu (sua) filho (a) vive em sociedade e se um (a) amiguinho (a) dizer algo diferente ele (a) tem de aceitar que há outras formas de aceitar.

Se a morte for de alguém próximo sugiro permitir que a criança participe dos rituais de velório, enterro e/ou da cremação. Isso ajuda a tornar a situação mais real. Explique para a criança o que vai acontecer e se ela quer participar dessa "despedida".

Não deixe de falar daquele que partiu. Mas sempre fale no passado. Não dê a falsa impressão de que o ser amado vai voltar, isso pode gerar uma fantasia, angústia e expectativa. Pode ser útil fazer um álbum, ou uma caixa, de memórias. Ajuda a criança a entender que as lembranças e memórias estarão sempre por perto e que não é errado querer se lembrar.

Se algum ente querido estiver seriamente doente e a morte for inevitável, prepare a criança para o fato. Não deixe que seja uma surpresa. Se possível faça com a criança participe do processo, vivencie e possa aos poucos se organizar internamente para isso.

Se o assunto é muito difícil para você há alguns livros que podem ajudar a ambos (você e seu/sua filho (a)) a entender melhor a questão.






sábado, 14 de novembro de 2015

Tragédias: Quando tudo parece irreal... como explicar às crianças?

Quando tudo parece irreal... como explicar às crianças?

Mariana... Paris... Mortes nos noticiários e descrição de tragédias! Se nós adultos não conseguimos entender, como explicar às crianças?
Minha filha é pequena, ainda entende pouco; mas se fosse uns 2-3 anos mais velha, o que eu poderia dizer? pensei muito e chorei um bocado, mas busquei algumas respostas, com psicólogos e com o aprendizado do passado.
Lembre-se que tragédias sempre aconteceram desde que o mundo é mundo, e sempre nós - em qualquer idade - tivemos de conviver com elas!

1º Não fuja do assunto

Se a criança viu, ou ouviu, sobre a tragédia ela vai querer saber mais, perguntar, entender... Não fuja, mesmo que tenha de responder "eu também não sei porque...", mas deixe a criança se expressar

2º Não minta

Nunca faça de conta que nada aconteceu, especialmente se a tragédia impacta a vida da criança (imagine uma criança de Mariana hoje...), isso só vai diminuir a confiança que seu (sua) filho (a) tem em você

3º Tente controlar as suas emoções e sua língua!

Frente ás tragédias tentamos extravasar falando... xingando o "vilão", questionando Deus e suas decisões, desejando mal "aos causadores"... E quantas vezes esquecemos que as crianças estão em volta? E quando nos damos conta pensamos "eles não entendem ainda". MENTIRA!
Eles entendem, eles absorvem e eles reproduzem o que aprendem conosco.
Lembre-se que você não está sozinho (a) e controle-se. Provavelmente tudo que você diria naquele momento, algumas horas ou dias depois você mesmo (a) não concordaria. Ter filho (a) é antecipar essa reflexão. 
Não só nas tragédias, mas na hora de comentar a roupa da amiga, o comportamento da vizinha, ou a educação que a (o) amiguinha (o) da sua (seu) filho (a) recebe...
é dessa forma que as crianças reproduzem frases como: "negros quando não defecam na entrada, defecam na saída" (máxima, traduzida de forma educada, da minha avó... que era mulata!) ou "meninos não choram", "rosa é de menina", "carrinho é de menino".
Quantas vezes vejo os pais se questionarem: "De onde ele (ela) tirou isso?" e não se enxergando!

4º Ressalte as atitudes heroicas, que sempre existem!

 Mostre o bombeiro salvando animais em Mariana e ressalte que todos merecem carinho e salvação! Mostre os voluntários acolhendo os desabrigados. Separe roupas e/ou comida e leve com a criança para doar para as vítimas. 
Mostre que a solidariedade pode ser a chave para diminuir o sofrimento.

5º Nunca culpe alguém, alguma crença ou posição política/filosófica

Aproveite para explicar ao seu (sua) filho (a) que em todas as sociedades, grupos religiosos e etc, há gente boa e gente que "não é tão legal", independente de onde moram, roupa que usam, quanto tem de dinheiro ou que igreja/religião frequentam. 
Não faça de uma tragédia outra: a criação de preconceito no coração e mente do (a) seu (sua) filho (a). 

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Dia Mundial da Adoção

Sandra Bullock, mãe de Louis, de 5 anos diz tudo:

 "Estou cansada de ouvir de todos que ele não é meu filho, que ele não é meu sangue. Que sou uma mãe adotiva. Eu sou uma mãe. Não preciso de qualquer outro rótulo ou prefixo. Eu sei que o adotei e tenho orgulho disso. Ele pode não ter meus olhos, ele pode não ter o meu sorriso, ele pode não ter o meu tom de pele, mas ele tem todo o meu coração. Uma mãe é a pessoa que cria, ama e cuida do filho. Não importa se você tem ou não o mesmo sangue. Tenho meu filho em meus braços e agradeço a Deus por trazer ele para mim. Se eu tivesse seguido o padrão esperado para formar uma família, eu não o teria encontrado. Eu precisei conhecê-lo. Eu precisava ser mãe dele. Eu sei agora o porquê de tudo o que me aconteceu. Ou não aconteceu. Então eu pude conhecer este pequeno rapaz. Ele é, em todos os sentidos, meu filho.… espero que muita gente leia isso especialmente aqueles que são contra adoção e a consideram como um tabu. A adoção é maravilhosa. É uma dádiva de vida. Que o desejo de seu coração possa ser dar um lar a uma criança."

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Eu fui uma criança "gordinha" e uma adulta obesa mórbida... Como evitar a epidemia de OBESIDADE INFANTIL?

Quando eu era pequena a expressão "que bebê lindo, gordinho"... Uma herança da época - sem vacinas e/ou antibióticos - que a criança mais bem nutrida era mais capaz de passar pela primeira infância, e suas infecções com maior sucesso.
Eu fui uma bebê gorda (diria até obesa) e esse problema me perseguiu por toda vida, e só foi de alguma forma resolvido com a cirurgia bariátrica (redução de estômago).
Veja abaixo o risco da criança obesa se tornar um adulto obeso:

No Brasil nas últimas 2 décadas a prevalência da obesidade infanto-juvenil subiu 240%!! Uma a cada três crianças de 5 a 9 anos está acima do peso.

Hoje em dia temos inúmeros fatores que levaram a OBESIDADE INFANTIL ser uma problema de saúde pública em todo mundo:

  • alimentação "fast food", industrializada, usada como forma de recompensa (já falamos disso no post Alimentação infantil: não fale para seu filho fazer o que VOCÊ não faz..) e,
  •  redução da atividade física (o simples brincar: correr, pular, andar de bicicleta) que foi substituída pelos brinquedos eletrônicos. 
    • Esse fenômeno não é só culpa dos brinquedos eletrônicos ou da web, mas também do aumento da violência e da redução dos espaços (parques, rua, playgrounds) para que as crianças possam exercer esta atividade livremente. Outro problema é como sempre... o exemplo! Os pais também estão cada vez mais sedentários... E por fim o fenômeno do "mini-adulto" que faz: inglês, mandarim, kumon, etc... para um dia ser muito bem sucedido no "vestibular" (nem sabemos se isso vai existir daqui algum tempo), fazer uma faculdade de ponta (será que quando eles crescerem isso ainda vai ser importante?) e ser um adulto bem sucedido (o que é isso? ser feliz ou ganhar dinheiro?)
Este post é para explicar os motivos, os riscos e como evitar a OBESIDADE INFANTIL

O que é ser "gordinho" e o que é ser obeso?
Primeiro sinal: seu (sua) filho (a) está com um peso superior a dos seus (suas) coleguinhas da mesma idade. Geralmente, acreditamos que a família nota isso, mas um estudo recente na Espanha e no Reino Unido mostrou que 30 a 45% dos pais entrevistados não conseguiam identificar o excesso de peso dos filhos, a menos que a criança fosse muito obesa! Uma boa ferramenta são gráficos de crescimento (peso e altura) que o seu pediatra preenche em toda consulta de puericultura. Converse e ouça o seu pediatra sobre o assunto!

Quais são os fatores de risco para a obesidade infantil?
Fatores Genéticos: filhos de pais obesos tem maior risco de se tornarem obesos, mesmo que não sejam criados por estes pais. Mas, a genética só se manifesta se o ambiente permite, ou seja, se a família tem estilo de vida sedentário e abusa de uma alimentação não-saudável. 
Mães que engordam muito durante a gravidez (especialmente aquelas que evoluem com Diabetes durante a gestação por esse excesso de ganho de peso), ou sofrem de privação alimentar (desnutrição), geram crianças com maior tendência a obesidade.
Há um fator psicológico da relação entre os pais e a criança que também é importante. Em muitas famílias a comida é usada como recompensa, ou como prova de amor da criança pela mãe/pai ("se você me ama, vai comer tudinho")

Saciedade: isso deve ser respeitado
Toda pessoa nasce com a sensação de fome e de saciedade. O bebê chora quando está com fome, recebe o leite e descobre a saciedade! 
Muitos pais/mães não conseguem entender que a quantidade de comida que a criança ingeriu pode parecer pequena, mas é suficiente para sacia-las. Essa quantidade varia de pessoa a pessoa, de criança para criança.
"Em casa que tem comida criança não passa fome" Não é necessário que a criança raspe o prato. Respeite quando a criança não quiser mais comida. Se mais tarde ela ficar com fome, ofereça novamente a comida salgada ou uma fruta, iogurte, etc

Frustração (birra)  e ansiedade (resposta a mudanças na rotina) na criança: comida não é tratamento para isso!
Muitas famílias tratam a birra trocando o seu fim por recompensas alimentares, geralmente doces e/ou salgadinhos industrializados. Já conversamos sobre birra em BIRRA: Quem já não perdeu a paciência?
Muitas vezes os pais/mães recorrem a comida quando estão ansiosos, ou com problemas, dando o exemplo para a criança. quando a criança frente a uma nova situação, por exemplo, troca de escola ou de professora, e ao se expressar ganha "uma gostosura"... estão ensinando um comportamento que vai ser para toda a vida e gerar essa associação "ansiedade-comida".

Prevenção é a palavra de ordem
No Pré-natal o ginecologista-obstetra deve identificar os fatores de risco da gestante: diabetes, colesterol elevado, tabagismo, pressão alta, doenças cardíacas... e então orienta-la: alimentação adequada, exercício físico durante a gravidez e ganho de peso correto.
No dia-à-dia  o pediatra deve (o que chamamos de puericultura): estimular o aleitamento materno exclusivo até o 6º mês, conversar sempre sobre a alimentação saudável e o respeito a saciedade da criança, a grande necessidade de EXEMPLO familiar, estimular a atividade física (que não precisam ser aulas de esportes, mas a liberdade do brincar!). Portanto, não deixe de levar seu/sua filho (a) a cada 6 meses/1 ano (após o 1º/2º ano, quando as consultas devem ser mais frequentes, para orientações nutricionais, de vacinação e avaliação do desenvolvimento da criança) ao pediatra!

Quais os riscos da obesidade infantil
Complicações físicas: Colesterol alto, diabetes tipo 2, pressão alta, sobrecarga nos ossos, acúmulo de gordura no fígado (esteatose hepática), puberdade precoce (amadurecimento dos órgãos sexuais antes da idade correta), acne, infecções de pele (especialmente nas dobras), asma e outras alterações respiratórias.
Complicações Emocionais: Baixa autoestima, depressão, maior chance de bullying na infância, alterações do comportamento.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Protegendo seu filho na Web

Tenho me revoltado muito com as publicações de pais na Internet (Youtube/Facebook/etc) em que pais divulgam crianças sofrendo (chorando, assustadas, caindo...).
Quem são esses seres humanos que enquanto o(a) filho(a) chora e precisa de colo, afago, carinho se preocupa em ficar com um celular na mão para gravar a criança sofrendo, para depois divulgar como se fosse engraçado?
Os pais tem DEVER de proteger seus filhos, na medida do que é possível. Nem sempre estaremos na vida deles, mas enquanto podemos, devemos.
A Internet criou várias facilidades... eu poder conversar com vocês... podermos rever amigos de longa data... ou encontrar novos!
Mas como e com qual idade devemos liberar/monitorar os recursos da rede? Afinal, não faz sentido priva-lo(a) desse recurso que será parte da vida dele(a) para sempre, pessoal e profissionalmente (minha opinião pessoal).

Busquei várias fontes, e abaixo o que encontrei:
1- Estabeleça horários de uso e as regras
Uma das regras até por volta dos 16-18 anos (dependerá da maturidade do(a) pimpolho(a) é ter acesso a todas as senhas das redes sociais e deixar claro que você as vasculhará.
Com a detecção da maturidade do adolescente a "invasibilidade" pode ser retirada e será uma prova de confiança entre você e seu (sua) filho (a).
Veja aqui quais os sinais de maturidade.
2-Sempre deixe o computador em local visível e sempre dê uma "passadinha" por ali
Tente ser discreto(a) na hora de chegar, há vários recursos que os (as) pequenos (as) rapidamente aprendem para fechar janelas rapidamente.
3- Use o Windows Live para monitorar a navegação da criança
4- Use o Zuggi, um buscador na web, específico para crianças que bloqueia sites impróprios. Gratuito!
5- Deixe claro o que é PEDOFILIA, seus perigos e como detectá-la.
Indique que qualquer contato suspeito deve ser comunicado e observado por você.
Avise que não devemos aceitar o convite de qualquer pessoa, e sim de pessoas que conhecemos pessoalmente ou nos são indicadas pela escola, amigos ou familiares.
Oriente que qualquer contato excessivo, que o tempo todo insista para obter informações pessoais, são suspeitas.
6- Ensine que nem tudo que está nas redes sociais é VERDADE.
Explique claramente que antes de reproduzir uma informação é importante avaliar a fonte e a veracidade. Deixe claro que em caso de dúvidas você sempre estará a disposição para ajudar!
7- PRIVACIDADE
Deixe claro que senhas, endereços pessoais, da escola e/ou virtuais, NUNCA preencher questionários/formulários online sem sua aprovação, NÃO compartilhar fotos com desconhecidos, NUNCA aceitar encontrar "novos amigos" feitos online sem a sua presença.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Andar de carro é divertido,mas tem de ser seguro: da cadeirinha até o cinto de segurança!

Quando eu era criança andávamos sem cinto de segurança, as crianças muitas vezes iam no porta malas (especialmente do fusca)... Por que mudou? Porque o mundo mudou!
Os automóveis são mais velozes, as ruas, estradas e demais vias mais lotadas e nós aprendemos com os nossos próprios erros, como em tudo na vida.
Quando eu estava no 5º/6º da Faculdade de Medicina, os anos que chamamos de "internato" nos quais começamos a atuar sob supervisão de professores e preceptores,o cinto de segurança não era obrigatório. Lembro-me da quantidade, e gravidade, das lesões nos acidentes de trânsito... :-(
Um caso que me marcou profundamente foi de um garoto de 3 anos de idade que morava na nossa unidade semi-intensiva desde o 1º mês de vida. Ele estava no colo da mãe, indo para sua primeira consulta pediátrica, quando foi vítima de um acidente automobilístico e ficou tetraplégico, dependente do aparelho de respiração mecânica, comendo por via de sonda gástrica (introduzida diretamente no estômago)... e nunca mais foi para casa até morrer por complicações infecciosas...
Então, a minha coluna hoje é em homenagem a ele.
1- A cadeirinha é OBRIGATÓRIA desde a saída da maternidade
Não é por causa da multa, não é por causa dos outros, você decidiu ser pai/mãe e portanto é responsável pela segurança desse(a) serzinho(a) que o Universo te entregou.
Primeira coisa na hora de adquirir uma: a marca deve ser certificada pelo IMETRO, cheque antes de comprar, usando a expressão "dispositivo de retenção para crianças" na guia "Buscar".
Segundo: cheque o tamanho da cadeirinha e o espaço traseiro do seu carro para não deixá-la "colada" nos bancos da frente. NUNCA COLOCAR A CADEIRA NO BANCO DA FRENTE!!
Terceiro: não se preocupe com a "cabecinha" ficar "caída". Não fará mal para a criança. Mas, se te incomodar há apoios de pescoço que podem ser usados.
2-Tipo de cadeira versus idade
Cada idade e peso necessita de uma proteção diferente. 
Basicamente: 

  • Até 1 ano de idade –bebê conforto instalado de costas para o banco do motorista;
  • De 1 a 4 anos de idade – cadeira para auto;
  • De 4 a 7 anos e meio de idade - assento de elevação, o booster;
  • A partir dos 7 anos e meio – no banco traseiro com o cinto de segurança.


Para saber mais consulte o Guia da Cadeirinha site  Criança Segura.
3- Como sempre: VOCÊ É O EXEMPLO
Isso vale para tudo. Nenhuma criança aceita verdades absolutas que só valem para ele(a) e não para os pais. Se você, seu/sua parceiro(a) e os caronas não usarem o cinto, por que ele/ela tem de usar?
Exija de todos estarem nos sues devidos lugares, com os cintos, para que você ligue o carro! (Minha mãe odeia isso!)
4- Aproveite o passeio de carro para dar as primeiras lições de segurança no trânsito
Vá contando as regras dos semáforos (vermelho, amarelo, verde), o uso da faixa de pedestres, a importância de olhar para os dois lados antes de atravessar a rua. Quando vir algum comportamento incorreto (alguém atravessando entre os carros e/ou embaixo das passarela e não nelas) aponte o erro e comente o risco. Aproveite para criar um cidadão consciente e seguro. 
5-Quando permitir o uso do banco da frente?
Essa resposta vai dar briga, mas até os 13 anos lugar de criança é no banco de trás. (Veja mais em: http://www.scielo.br/pdf/jped/v81n5s0/v81n5Sa08.pdf

terça-feira, 15 de setembro de 2015

O lado negro da mater/paternidade

Estava em uma festa de aniversário de uma das melhores amigas da Bia e perguntei: qual deve ser a minha próxima coluna? E aí veio o tema: o lado negro da maternidade.
Como é?????? Como assim tem lado ruim? Ser mãe/pai é fantástico e tudo é lindo...
Mentira!
As mães costumam ter mais neuroses, mas esquecem que os pais também têm seus dramas.
As grávidas ouvem só sobre sono e a rotina chata dos primeiros meses e não se prepararam para o resto. E para os coitados dos pais ninguém fala nada. Continuam usando o modelo: só a mãe cuida....
Então hoje vamos ao sincericídio: o lado negro da mater/paternidade.
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1-      Medo de morrer
À partir do momento que você vê a criança e nota que será responsável por alguém ser feliz, ou não, saudável, ou não, etc... Você começa a pensar na insuportável pergunta, mas e se eu morrer?
Para a cultura brasileira há algumas providências que pensei e que podem parecer estranhas, mas vá lá:
·       Testamento: estabelecer exatamente quem deve ser responsável pelo seu/sua filho (a) caso algo aconteça;
·       Reserva de fundos para educação: se você é organizado faça um investimento próprio, se não for compre um plano de previdência deste tipo
·       Plano de saúde: se vocês adultos faltarem o plano de saúde da empresa acaba e... então tenham planos próprios que o responsável legal pelo (a) seu/sua filho (a) poderá manter.
·       Vá ao médico. Faça checkup. Seja mais saudável.

2-      Pós-parto é ruim, mas passa
Seja parto normal ou cesariana (sim, ela é uma opção para várias situações e não é crime) o pós-parto é um período de dor. Não é errado senti-la e, por favor, divida o desconforto com seu/sua parceiro (a). Nesse momento, ele (a) está ansioso (a) para fazer alguma coisa por você e o papel de super-mulher os (as) enche de medo de ser desnecessário (a).

3-      Baby Blues e depressão
A maioria das mulheres passam pelo baby blues (encontrei números de 60 até 80%) que é o resultado da imensa variação hormonal que acontece no final da gestação.
Durante a gravidez a mãe está inundada de hormônios. Depois que a criança nasce a quantidade de hormônio (estrógeno e progesterona) se altera bruscamente e isso leva a alteração da quantidade de neurotransmissores, substâncias que comunicam aos diferentes locais do cérebro as sensações de alegria/tristeza/prazer. Com o tempo o corpo volta ao normal.
Os sintomas começam entre o 3º e o 10º dia pós-parto quando a sensação de cansaço e de ser incapaz e incompetente se instalam. A privação de sono, resultado da amamentação, piora o quadro. São sentimentos verdadeiros e reconhecer e dividir com o (a) parceiro (a) é muito importante. Que o (a) parceiro (a) possa ser a pessoa a acordar com o choro do bebê e trazê-lo (a) até você (ao invés de você se levantar toda vez que o bebê chora) já ajuda muito. Saber que pode tomar um longo banho porque há alguém a postos caso o bebê chore, também. Seria interessante que o (a) parceira pudesse pensar em tirar alguns dias de férias nesse começo (já que a licença legal é curta e foi criada para que “o pai pudesse registrar a criança”.)
Deu vontade de chorar? Chore. Não tenha culpa. Você não é uma horrível mãe porque não está absurdamente feliz. Praticamente nenhuma está.  
Com apoio da família e amigos o baby blues passa em cerca de 2 semanas. Mas a depressão pós-parto é outra coisa. Na depressão a sensação de incapacidade de cuidar da criança e de si mesma é aterrorizante e muitas vezes gera impulsos suicidas ou homicidas. É mais frequente em pessoas com história prévia e/ou familiar de depressão, que tenham tido problemas durante a gravidez (especialmente de saúde). Segundo estatísticas norte americanas 10 a 15% das mulheres apresentam o problema. Neste caso só apoio familiar e dos amigos não adianta, é necessário tratamento psiquiátrico com medicação.

4-      Amamentar doí!
Sim, amamentar é fundamental para a saúde da criança e o ideal é que o leite materno seja o alimento exclusivo dela até o 6º mês de vida. (Vovós e vovôs, atenção: chá é contraindicado). Mas dói! O mamilo precisa ser preparado para a sucção constante antes do nascimento do bebê. E mesmo assim a tração, fricção e atrito constantes geram desconforto. A criança também está em processo de aprendizado, nunca fez aquilo antes. Leia como se preparar em: http://pediatriadescomplicada.com/2014/10/27/mamae-saiba-qual-a-melhor-posicao-e-pega-na-hora-de-amamentar

5-      Culpa: quero ficar sozinha um pouco! Quero ir embora daqui! 
Sim, queremos! Queremos sair para dançar, ir ao cinema, comer e beber bem sem que um choro ou alguém grite “manhê”.... Queremos dormir até tarde... Queremos ficar sozinhas em casa em total e maravilhoso silêncio!
Por que não conseguimos? Porque a “cultura geral” diz que é nosso dever estar totalmente à disposição da criança! E aprendemos que “deixar com os outros” é errado. Primeiro, o (a) nosso (a) parceiro (a) não é “com os outros” e sim alguém que decidiu entrar nessa jornada conosco. Mesmo que em algum momento vocês já não coabitem, ambos (as) tem os mesmos direitos e deveres em relação à prole.
Tenho ouvido muitas queixas de parceiros (as) especialmente nos primeiros 2-3 anos de vida: eu não posso ficar sozinho (a) com meu filho (a)! A mãe dele acha que eu sou incapaz!
A verdade é perniciosa. Nos sentimos tão poderosas nesse papel de mãe que não queremos abrir mão desse poder para ninguém, sequer compartilhar. É bom (mas é ruim) ser essa super-heroína que trabalha, cuida e arruma tudo! Para as gerações passadas era o que as mulheres tinham de força e de contrapartida nas relações...
O mundo mudou... E agora trabalhamos, estudamos, fazemos esportes e temos outros interesses. Mas o comportamento “ideal” ainda está na nossa mente, colocado pelas histórias que ouvimos desde pequenas e muitas vezes pela educação que nossos pais nos deram.
Está na hora de reconhecer, partilhar o poder e educar o (a) nosso (a) pimpolho (a) para ser diferente na vez dele (a).