sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Pesadelo é uma coisa. Terror noturno, outro.

Você está dormindo tranquila e profundamente... e aí gritos aterrorizantes te acordam...
O que é? O que eu faço? E agora?
Os pais ficam apavorados, desesperados porque não conseguem evitar e/ou resolver a situação que incomoda o (a) filho (a). E para nós pais o que é pior do que descobrir não ser capaz de evitar qualquer sofrimento na vida dos nossos (as) pimpolhos (as)? Mesmo quando eles (as) tiverem 50 anos...
Vamos entender para nos culparmos menos... (não nos culpar... eu julgo impossível)
1- O que é sono?
Sono é um período de repouso para o corpo e a mente quando a volição (capacidade de escolher) e a consciência (capacidade de entender, analisar e compreender) estão parcial ou totalmente inativos.
Ele se divide em 2 períodos reconhecidos pelo Movimento dos Olhos: Período sem movimentos rápidos dos olhos (NREM, do inglês, Non Rapid Eye Movement, 75% do tempo que dormimos) e o com esses movimentos (REM, Rapid Eye Movement).
NREM: (1) sonolência: período em que você começa a se preparar para dormir, geralmente deixando a mente vaguear por vários acontecimentos recentes, dura mais ou menos 5 minutos e qualquer estímulo acorda a pessoa; (2) sono "não profundo", duração média de 5 até 15 minutos, para "acordar" a pessoa necessita de estímulos mais intensos (tátil, sonoro...) podem aparecer sonhos com história; (3) aprofundamento do sono (15 a 20 minutos) e (4) sono profundo (40 minutos) quando acordar a pessoa é muito, mas muito difícil. No NREM há liberação do hormônio do crescimento, em grandes quantidades.
Depois de todo esse NREM, começa o sono REM: momento em que os músculos estão totalmente parados e relaxados, mas o cérebro está em plena atividade (como na fase de sonolência) há sonhos relacionados a fortes situações emocionais. A função é separar o memórias "inúteis" do dia-à-dia (" a cor do carro estacionado na frente da escola") do que é importante para fixar apenas o importante na memória. É o momento que mandamos lembranças inúteis para a "lixeira" do nosso "computador" (cérebro) e a esvaziamos.

2-Pesadelo
Acontece na fase REM, geralmente na segunda metade da noite, e é relacionado a um sonho assustador, e a criança acorda (na maioria das vezes) e consegue contar que o medo foi gerado por uma "história" relacionada ao sonho. Tem relação com algumas situações do cotidiano que a criança vivenciou: um filme de terror, o medo de cair do brinquedo quando se desequilibrou, uma história aterrorizante contada por um amiguinho...
Nesse momento confortar, explicar que está ali para protegê-lo (a) e que aquele fato "não é real" ou "já passou" funciona.
Para evitar o pesadelo ter uma boa rotina para dormir, evitar histórias ou filmes com conteúdos que podem causar a sensação de medo na criança. Para descobrir o "gatilho" do pesadelo revise o dia da criança do ponto de vista da idade e maturidade emocional dela. (Com a minha Bia um dos desencadeantes foi o seriado "Chaves"... afinal ela nunca tinha visto, até aquele momento, crianças brigando e batendo uma nas outras)

3- Terror Noturno
Pode começar por volta dos 9 meses, de 10 a 15% das crianças tem pelo menos 1 crise por ano, em adolescentes  5 a 10% tem pelo menos 1 crise anual e entre os adultos 1 a 5%.
Acontece na primeira metade da noite (2 a 4 horas depois do adormecer), fase NREM. A criança grita, se agita fisicamente (senta, chuta, bate...) , pode suar muito,  respirar rápido e ter os batimentos cardíacos muito acelerados. Há uma sensação de desconforto e/ou medo forte, mas não se relaciona especificamente a um fato ou história. Na maioria dos casos a criança não acorda (ou seja, não fica consciente).
Costuma ter história familiar, ou seja, se o seu/sua filho (a) mais velho (a) - ou você - tem e/ou teve terror noturno o (a) próximo (a) filho (a) tem mais chances de apresentar o problema.
Algumas situações aumentam a chance do terror, cansaço excessivo, estresse, febre e/ou outro desconforto físico (incluindo bexiga cheia),  dormir em lugar estranho/diferente, muito som e/ou luz.
Neste caso acolher fisicamente é fundamental para passar a sensação de conforto. Evite acordar a criança. Repita com voz calma e tranquila "Papai e mamãe, ou papais, ou mamães te amam" ou cante uma canção de ninar baixinho.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Que sono! Dormir é bom! Em todas as idades... Mas, como ajudar o (a) meu/minha filho (a) a ter bons hábitos de sono?

Dormir é tão bom... e depois de virarmos mamães e papais isso se torna cada vez melhor... Afinal os pequenos nos consomem todas energias!
Mas a minha Bia, é uma garota super "boa de cama"! De repente olha para você e diz: vou dormir! E apaga! Já fez isso em restaurante de hotel fazenda! (Vejam a foto que ilustra nossa publicação de hoje.)
Mas, para muitos pais e mães é conflituoso gerenciar o sono dos pequenos...

1- Como sempre: cada família e cada comunidade social funciona de um jeito. Se respeite! O certo para alguns, pode não encaixar para vocês...
Uma criança deve estar integrada a sua realidade, Na comunidade Guisi no Quênia os pequerruchos não tem horário para dormir, participam das atividades dos pais e da comunidade até sentirem necessidade de repouso, então dormem. Já os Hare, no Canadá, não permitem a soneca da tarde após os 3 anos e as crianças jantam e imediatamente dormem. (fonte: http://guiadobebe.uol.com.br/o-padrao-de-sono-das-criancas/).
Na verdade o ideal é que a criança se adapte ao ritmo familiar. A que horas vocês pais chegam em casa? A que hora acordam? Que momento após o trabalho podem brincar com seu/sua filho (a)?
Mais importante do que regras e receitas prontas o mais importante é que seu/sua pequeno (a) possa conviver, brincar e conversar com vocês...
Sempre fui "da noite", mas minha filha é "do dia" e meu marido também, fui eu quem teve de se adaptar... (Juro ainda é difícil!)
2- Do nascimento até nos tornarmos idosos a necessidade de sono e o ciclo dele muda
Até 6 meses o sono acontece em ciclos de 3 a 4 horas, sem nenhuma relação com o fato de ser noite ou dia. São os pais que começam a introduzir este conceito. Dica: nas mamadas noturnas não use muita luz e nas diurnas sempre mantenha a luz natural, desde recém nascido, este conceito é demonstrado pelo nosso comportamento e aprendido. Não coloque a criança para dormir em ambientes sem luz durante o dia, mantenha a luminosidade natural, assim você estará demonstrando o conceito noite/dia.
Por volta do 4º mês o ritmo de 24 horas e luminosidade começam a ser compreendidos, então eles passam a estender o tempo entre os ciclos. Geralmente no 6º mês a criança passa a conseguir dormir por 6 horas seguidas, acordando à noite para uma mamada (as mamães voltando da licença maternidade agradecem!).
Entre os 2 e 3 anos (sempre esse período crítico...) o sono noturno já deve ter um ritmo proprio e contínuo, as "sonecas diurnas" tendem a diminuir. Porém, aparece a ansiedade da separação dos pais ("e se ao acordar eles não estiverem aqui?"). Nesse momento é importante criar uma rotina que dê segurança à criança (de acordo com as rotinas e valores familiares). Os chamados "objetos transicionais" (paninho, boneco de pelúcia, bonecas, etc...) são importantes para eles se sentirem tranquilos, seguros e conseguirem "desligar". Nessa idade por volta de 30% das crianças tem os "terrores noturnos" (choro constante no meio da noite, vamos conversar em outro post, prometo!).
Entre 4 e 5 anos é interessante evitar as "sonecas diurnas", especialmente no final da tarde, elas podem reduzir o tempo de sono noturno. Dica: se seu/sua filho (a) está na "escolinha" cheque qual é a "política" deles nesta faixa etária e peça para adapta-la a sua rotina familiar.
Dos 5 aos 12 a criança transita gradualmente para o "padrão adulto", há horários para acordar para ir à escola e etc... que geram uma rotina...
Adolescentes tem um aumento da sensação de sono durante o dia, para se adaptarem para a rotina dos tais "8 horas diárias de sono" e a possibilidade de dormirem em horários diferentes durante a semana e aos fins de semana. Alguns pedagogos desaconselham que as aulas comecem muito cedo para que a atenção na hora do aprendizado seja melhor aproveitado.
Antigamente diziam que tínhamos de aprender a estudar e acordar e acordar cedo porque na vida adulta seria assim... Pense na nossa vida atual: home office, horários alternativos, novas opções profissionais. Entender e respeitar é fundamental.
Leia mais em
http://revistaescola.abril.com.br/ciencias/fundamentos/hora-certa-aprender-467203.shtml,
http://veja.abril.com.br/noticia/saude/aulas-para-adolescentes-deveriam-comecar-depois-das-8h30-diz-estudo
http://oglobo.globo.com/sociedade/educacao/aulas-comecam-cedo-demais-39-dos-alunos-brasileiros-possuem-privacao-de-sono-17123847
Veja a tabela de tempo versus idade (lembre-se cada criança, adulto e família são individualidades, esses números são médias):

Idade
  Nº horas             Quantidade de horas de sono durante o dia
Recém-nascido
  16 a 18 horas por dia.
    várias sonecas durante o dia
2 a 6 meses
  14 a 16 horas por dia
    5 horas dessas, de sono diurno
6 a 12 meses
  12 a 14 horas por dia
    3 horas dessas, de sono diurno
1 a 2 anos
  10 a 12 horas por noite
    2 soninhos diurnos de 1 hora cada
2 aos 3 anos
  10 a 12 horas por noite
    1 soninho diário de 1 hora
3 aos 6 anos
  10 a 12 horas por noite
    não há necessidade de sono diurno
Acima de 6 anos
  8 a 10 horas por noite
    não há necessidade de sono diurno
Adolescentes
  8 a 9 horas por noite
    não há necessidade de sono diurno
Adultos
  7 a 8 horas por noite
    um descanso de 30 minutos durante o dia é interessante
Idosos
  6 a 7 horas por noite
    importante um sono diurno de 1 hora e meia

3- Por que dormir é um assunto sério?
  • Dar tempo para o corpo voltar às condições ideais para recomeçar, isso inclui restabelecer a quantidade de algumas substâncias químicas
  • Para aprender e ter boa memória: durante o dia recebemos uma série de informações (e com a internet isso aumentou exponencialmente), desde a cor da roupa de alguém até informações acadêmicas. O sono serve para fixar os que são importantes e "jogar fora" aqueles que não tem valia (porque se lembrar que a cor do carro que parou na frente de casa ou da escola era verde?). É uma especie de "esvaziar a memória do seu computador mental".
  • Dar tempo para o corpo descansar (baixar a pressão arterial, batimentos cardíacos, relaxar os músculos...) e produzir alguns hormônios que regulam a nossa vida e o nosso funcionamento (hormônio do crescimento, hormônios que controlam o apetite (quem dorme pouco tem mais tendência a engordar!), e vários outros.


sábado, 29 de agosto de 2015

Cada um tem um esporte para chamar de seu... Qual é a do (a) seu/sua filho (a)?

A atividade física  e o esporte são importantes para o desenvolvimento da coordenação e da motricidade, para a criança aprender a colaborar e dividir.
Mas, qual o esporte ideal para cada criança?
1- Se livre dos seus preconceitos antes de pensar no assunto
Meninas devem fazer Ballet, ginástica rítmica, ginástica olímpica, eventualmente natação (não muito para não ficar com os ombros largos) ou atletismo "leve"? Meninos devem fazer futebol, esportes de combate ou atletismo "pesado"?
Esqueça! O mundo é outro há muito tempo... Meninos podem ser ginastas olímpicos e meninas podem jogar futebol... O mais importante é que as crianças gostem do que estão fazendo, e saber que com o tempo elas podem "desgostar" daquela atividade e querer fazer outra.
Vejam o depoimento desta mãe, professora de educação física, sobre as escolhas de esportes quando ela era pequena e depois dos filhos: http://kilorias.band.uol.com.br/aprendendo-a-escolher-o-esporte-do-seu-filho/
2- A criança tem algum problema de saúde?
Não é impeditivo, mas se a criança tem algum problema de saúde o esporte e a atividade física devem ser adequados as limitações físicas e/ou cognitivas dela. Se a criança tem problemas auditivos pode ser frustrante tentar praticar um esporte que dependa de ritmo como a ginástica artística. O mesmo vale para dificuldades visuais, respiratórias ou físicas. É importante observar que NADA é impeditivo, mas vai depender da capacidade da criança lidar com frustrações e de desejar desafios. Veja o exemplo de Nick Vujicic
Mas, nem toda criança tem um temperamento de enfrentamento e forçar a barra só pode gerar um sentimento de imperfeição, bastante indesejável. A atividade física tem de ser prazerosa e respeitar os limites de cada indivíduo.
3- Qual a personalidade do seu/sua filho (a)
Ele (a) tem boa coordenação motora? Gosta de atividades em grupo, ou prefere brincar sozinho (a)? É agressivo (a) ou tímido (a)?  É inquieto (a) ou agitado (a)? 
Especialistas dizem que:
1- Para crianças coordenadas e/ou sociáveis, esportes coletivos podem ser mais adequados
2- Inquietas, ansiosas ou com dificuldade de concentração, mas que gostam de desafios, atletismo e natação podem ser bons.
3- Perfeccionistas, concentrados e com autocontrole podem gostar da ginástica olímpica ou artística, artes marciais ou tênis.
4- Fortes e competitivos com boa forma física podem indicar esportes de combate.
Mas, de novo, nada é definitivo... crianças tímidas com dificuldades de desafiar outros vão se beneficiar muito com as artes marciais, porque ganharão autoestima e autoconfiança.
4- Natação é fundamental para todos, é uma questão de segurança
O bom é que pode começar aos 6 meses e ser um grande momento de interação com os pais. 
Mas, o mínimo de conhecimento da natação pode evitar grandes tragédias.
Minha filha começou a nadar com 1 ano, nada até hoje, e é capaz de se manter fora da água sozinha por mais de 5 minutos. Ficamos mais tranquilos que a maioria dos pais em hotéis, clubes e passeios com a escola.
5- Não é toda criança que vai ser um atleta! Respeite a velocidade e desejo do seu filho.
Muitos pais ficam tão entusiasmados com a boa adaptação, dedicação e interesse dos (as) filhos (as) que imediatamente já sonham com as Olimpíadas. Aumentam a carga horária, colocam a criança em competições cedo demais... e frequentemente transforma um potencial esportista (ou até mesmo, atleta, por que não?) em um avesso à aquela atividade...
Outras dicas de como pensar no esporte ideal para cada criança podem ser encontradas em http://www.minhavida.com.br/familia/materias/3279-conheca-o-esporte-certo-para-cada-idade-do-seu-filho

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Todos querem que seus filhos sejam educados e gentis.
Mas será que os tratamos com educação e gentileza?
Vamos pensar juntos?
1- Ele (a) recebem um presente e não dizem obrigado (a)...
Quando ele (a) entrega um desenho, ou uma flor, ou uma pedra do parquinho, você agradece?
Quando ele atende uma solicitação sua ("traga o pente até a (o) mamãe/papai" ou "fale mais baixo")  você agradece?
Explicar aos filhos (as) que é importante agradecer quando se "ganha" algo, seja um elogio, um presente ou um carinho é fundamental; mas MUITO MAIS IMPORTANTE É FAZER!
Nós pais somos a referência e modelo. Reveja os seus modos, você ensinará aos pequenos (as) e será mais educado também.
2- Por favor.
Voltamos ao ponto anterior. Quando você pede algo ao pequerrucho (a) você usa as palavrinhas mágicas". Você as usa com seu/sua parceiro (a) ou cônjuge? E com o garçom? E com o (a) faixineiro (a)? Nunca, diga para que seu/sua filho (a) fazer o que você não faz!
Não atenda pedidos se não ouvir as "palavrinhas mágicas".
Tenho orgulho de ter sido advertida pela minha filha por esquecê-las...
3- Preserve o espaço e pertences do (a) seu/sua filho (a)
Peça licença para entrar no quarto e bata na porta da criança, quando for interagir o com o corpo dele (a) ("com licença, vou limpar o seu nariz"... isso também é importante para ensina-lo (a) que o corpo é dele (a) e que qualquer ato em relação ao mesmo deve ser autorizado por ele (a)). O mesmo vale para dar um gole na água ou pegar um pedaço da comida dele(a).
Mas, não vale ter estas atitudes só com seu/sua filho(a)...
4- Palavrões...
Pense nos seus valores e da comunidade que você faz parte... Você é contra falar palavrões? Então, não os fale.
Quando entrei na fila de adoção imediatamente comecei a me policiar e ao meu marido.
Não foi fácil...mas ter trabalhado com uma pessoa que usava essas palavras "como se fossem vírgulas" e ter me incomodado com isso fez com que eu tomasse essa decisão.
5- Xingar e/ou adjetivar aos outros
Mostre o quanto é desagradável ser chamado por uma característica física ou comportamental... que há palavras que ofendem. 
Lembre-se não vai adiantar usar esse discurso e durante a crise de birra dizer à criança "não seja birrenta (o), chorão (ona) ".
No fundo a mensagem é:  quer ter um (a) filho (a) educado e gentil... Seja educado (a) e gentil!  
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terça-feira, 25 de agosto de 2015

Uma das coisas que mais prezamos em casa é a Diversidade, negros, brancos, ruivos, judeus, japs (incluindo os chinas, tai...), hetero, homo, bi... nerds, geeks, hippies... carnívoros, onívoros, vegetarianos, veganos... 
Mas como conversar sobre isso? 
Minha receita tem sido conversar, mostrar situações reais em filmes e  filminhos E... deixa para lá! Quando o assunto voltar à tona, voltamos ao filme e ao assunto. 
Então encontrei formas de fazer isso com apoio da internet, e indico os sites abaixo:
Normal é ser diferente: http://www.grandespequeninos.com.br/
Meu novo amiguinho autista:http://www.youtube.com/watch?v=NnqdBzXmIBQ h
Adotar é tudo de bom!: http://gnt.globo.com/programas/familia-e-familia/videos/3708867.htm
Ser especial, não é ser diferente:http://gnt.globo.com/programas/familia-e-familia/videos/3708867.htm
E o que a Bia mais gosta: Esse menino é fantástico! SEM AS PERNAS!:http://mais.uol.com.br/view/t2pjn3videvl/sem-pernas-e-sem-lar-o-menino-que-comove-ronda-e-o-mundo-da-luta-04024D1C3866D8A95326?types=V&
Pai, sou menino e quero uma boneca: http://oglobo.globo.com/sociedade/menino-de-4-anos-pede-boneca-de-presente-pai-tem-reacao-incrivel-17285409
Mande para o blog símbolos de diversidade!

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Para vocês pediatras "tudo" é virose!!!!

Cansei de ouvir que para o pediatra "tudo" é virose... E que esperar 72 horas com a criança com febre em casa é um absurdo porque no final "vai precisar de antibiótico, mesmo"...
Então é melhor entender o que é virose e porque elas, na grande maioria das vezes, não precisam de "remédios"
Virose é o nome genérico de qualquer doenças causadas por vírus. 
Qualquer vírus. O sincicial respiratório (responsável por bronquiolites), o influenza (gripe), o rotavírus (diarreia), o varicela zoster (catapora), sarampo, o da dengue, o da imunodeficiência humana (famoso HIV, responsável pela AIDS), herpes (da gengivoestomatite, aquela que enche a boquinha do bebê de aftas e é acompanhada de febre bem alta) só para começar...
O grande problema é que antes de termos capacidade técnica para nomear cada um dos vírus e as doenças que eles causam, nós pediatras, sempre usamos o "guarda-chuva" da expressão virose para qualquer febre, sem outros sintomas associados. Assim, vulgarizamos uma expressão e criamos um monstro!
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A verdade sobre as famosas espera pelas 72 horas de febre
A maior parte das infecções, sejam causadas por vírus ou bactérias, se manifestam através da febre, e apenas depois de 24 a 72 horas, outros sinais e sintomas aparecem; nos permitindo diagnosticar o problema.
Como calcular as 72 horas?


Se a febre começou as 8 horas do sábado esta é a hora zero, e dia zero. Às 8 horas da manhã de domingo, completa as primeiras 24 horas, e o primeiro dia. Na segunda-feira às 8 horas, temos 48 horas, o segundo dia. E na terça-feira se após às 8 horas a febre persistir, ligue para o seu/sua pediatra e pergunte se ele (a) pode atender seu/sua filho (a) e se não aonde levá-lo (a)
Também é verdade que a maioria das infecções por vírus são benignas, auto-limitadas, ou seja, o organismo é capaz de reconhecer a agressão e responder à mesma em 7 a 10 dias, sem precisar de ajuda ("remédios").
Nossas avós sabiam disso e enfrentavam a situação sem dramas.
Mas, desde que começamos a usar medicamentos (mais especificamente antibióticos) criamos uma sociedade que deseja, com todas as forças, ter "remédio" para todas as coisas. E logicamente, "remédios" seguros, sem nenhum evento adverso e que ajam rapidamente!
Ah, só mais um parênteses: antibióticos são contra bactérias e não agem contra vírus, quando precisamos tratar alguma virose usamos antivirais!
Então os pais levam à criança febril ao pronto socorro, logo nas primeiras horas, e exigem diagnóstico e tratamento. Imediatamente!
E se o "incompetente" do (a) médico (a) não pedir radiografia e/ou outros exames, e pedir para que esperem as famosas 72 horas... Ele (a) não presta!
Mas temos de ter esta paciência para ver o que vem pela frente: vômitos e diarreia? obstrução nasal, tosse, chiado? coceira e lesões na pele?
Entenda que, eventualmente, podem aparecer sinais e sintomas de infecções bacterianas (otites, amigdalites, por exemplo) e antibióticos devem ser usados porque contra as bactérias raramente nosso organismo consegue responder sem ajuda ou sem prejudicar a nossa saúde de forma importante. E, não, não é culpa do (a) pediatra!
Como resolver a questão?
1- Vacinação: doenças que podem ser evitáveis, devem ser evitadas! Clique aqui para conhecer o calendário vacinal adequado, segundo as sociedades de pediatria.
2- Capriche na Educação Alimentar, na prática e exercícios físicos e em ficar ao ar livre. Crianças que tem uma alimentação saudável, praticam esportes e são expostos a luz solar e vento são mais resistentes às doenças. (Sei que é lugar comum, mas não custa lembrar).
3- No invernos, época em que as infecções respiratórias transmitidas por via respiratória (gripes, resfriados, etc), mantenha as janelas ABERTAS e o ambiente ventilado; isso reduz o risco de ganhar uma infecção.
4- Calma e paciência. Raras crianças vão passar pela infância sem resfriado, diarreia (tecnicamente gastroenterite), e a famosa gengivoestomatite.
5 - Logo na primeira visita com o (a) seu/sua pediatra acorde com o (a) profissional: o que fazer quando a criança apresentar febre? quando entrar em contato com ele (a) e assim por diante (veja o post sobre febre ). Assim a família estará preparada para esse momento, sem precisar transformar isso em crise, drama e ópera.
6- O mais importante neste período de espera e resolução não é comer! É beber! A criança vai perder a fome e ficar mais "chatinha", ninguém morre nesses 7-10 dias comendo pouco. Pode até perder um pouco de peso, mas esse será recuperado rapidamente. Mas sem líquidos acontece a desidratação, e essa pode ser rapidamente fatal. Ofereçam líquidos frequentemente e insistam no consumo deles.
(Em tempo: refrigerantes não são um dos líquidos que devam ser oferecidos. Vejam que dado horrível do IBGE no Brasil uma a cada três toma refrigerante antes dos 3 anos de idade. Leiam e entendam o tamanho do problema))
7- Não tenha medo de perguntar qualquer coisa ao seu/sua pediatra. Faça isso antes de tomar qualquer conduta (dar remédios, mudar alimentação...). Essa é a função dele (a) e foi por isso que ele (a) escolheram esta profissão.