quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Todos querem que seus filhos sejam educados e gentis.
Mas será que os tratamos com educação e gentileza?
Vamos pensar juntos?
1- Ele (a) recebem um presente e não dizem obrigado (a)...
Quando ele (a) entrega um desenho, ou uma flor, ou uma pedra do parquinho, você agradece?
Quando ele atende uma solicitação sua ("traga o pente até a (o) mamãe/papai" ou "fale mais baixo")  você agradece?
Explicar aos filhos (as) que é importante agradecer quando se "ganha" algo, seja um elogio, um presente ou um carinho é fundamental; mas MUITO MAIS IMPORTANTE É FAZER!
Nós pais somos a referência e modelo. Reveja os seus modos, você ensinará aos pequenos (as) e será mais educado também.
2- Por favor.
Voltamos ao ponto anterior. Quando você pede algo ao pequerrucho (a) você usa as palavrinhas mágicas". Você as usa com seu/sua parceiro (a) ou cônjuge? E com o garçom? E com o (a) faixineiro (a)? Nunca, diga para que seu/sua filho (a) fazer o que você não faz!
Não atenda pedidos se não ouvir as "palavrinhas mágicas".
Tenho orgulho de ter sido advertida pela minha filha por esquecê-las...
3- Preserve o espaço e pertences do (a) seu/sua filho (a)
Peça licença para entrar no quarto e bata na porta da criança, quando for interagir o com o corpo dele (a) ("com licença, vou limpar o seu nariz"... isso também é importante para ensina-lo (a) que o corpo é dele (a) e que qualquer ato em relação ao mesmo deve ser autorizado por ele (a)). O mesmo vale para dar um gole na água ou pegar um pedaço da comida dele(a).
Mas, não vale ter estas atitudes só com seu/sua filho(a)...
4- Palavrões...
Pense nos seus valores e da comunidade que você faz parte... Você é contra falar palavrões? Então, não os fale.
Quando entrei na fila de adoção imediatamente comecei a me policiar e ao meu marido.
Não foi fácil...mas ter trabalhado com uma pessoa que usava essas palavras "como se fossem vírgulas" e ter me incomodado com isso fez com que eu tomasse essa decisão.
5- Xingar e/ou adjetivar aos outros
Mostre o quanto é desagradável ser chamado por uma característica física ou comportamental... que há palavras que ofendem. 
Lembre-se não vai adiantar usar esse discurso e durante a crise de birra dizer à criança "não seja birrenta (o), chorão (ona) ".
No fundo a mensagem é:  quer ter um (a) filho (a) educado e gentil... Seja educado (a) e gentil!  
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terça-feira, 25 de agosto de 2015

Uma das coisas que mais prezamos em casa é a Diversidade, negros, brancos, ruivos, judeus, japs (incluindo os chinas, tai...), hetero, homo, bi... nerds, geeks, hippies... carnívoros, onívoros, vegetarianos, veganos... 
Mas como conversar sobre isso? 
Minha receita tem sido conversar, mostrar situações reais em filmes e  filminhos E... deixa para lá! Quando o assunto voltar à tona, voltamos ao filme e ao assunto. 
Então encontrei formas de fazer isso com apoio da internet, e indico os sites abaixo:
Normal é ser diferente: http://www.grandespequeninos.com.br/
Meu novo amiguinho autista:http://www.youtube.com/watch?v=NnqdBzXmIBQ h
Adotar é tudo de bom!: http://gnt.globo.com/programas/familia-e-familia/videos/3708867.htm
Ser especial, não é ser diferente:http://gnt.globo.com/programas/familia-e-familia/videos/3708867.htm
E o que a Bia mais gosta: Esse menino é fantástico! SEM AS PERNAS!:http://mais.uol.com.br/view/t2pjn3videvl/sem-pernas-e-sem-lar-o-menino-que-comove-ronda-e-o-mundo-da-luta-04024D1C3866D8A95326?types=V&
Pai, sou menino e quero uma boneca: http://oglobo.globo.com/sociedade/menino-de-4-anos-pede-boneca-de-presente-pai-tem-reacao-incrivel-17285409
Mande para o blog símbolos de diversidade!

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Para vocês pediatras "tudo" é virose!!!!

Cansei de ouvir que para o pediatra "tudo" é virose... E que esperar 72 horas com a criança com febre em casa é um absurdo porque no final "vai precisar de antibiótico, mesmo"...
Então é melhor entender o que é virose e porque elas, na grande maioria das vezes, não precisam de "remédios"
Virose é o nome genérico de qualquer doenças causadas por vírus. 
Qualquer vírus. O sincicial respiratório (responsável por bronquiolites), o influenza (gripe), o rotavírus (diarreia), o varicela zoster (catapora), sarampo, o da dengue, o da imunodeficiência humana (famoso HIV, responsável pela AIDS), herpes (da gengivoestomatite, aquela que enche a boquinha do bebê de aftas e é acompanhada de febre bem alta) só para começar...
O grande problema é que antes de termos capacidade técnica para nomear cada um dos vírus e as doenças que eles causam, nós pediatras, sempre usamos o "guarda-chuva" da expressão virose para qualquer febre, sem outros sintomas associados. Assim, vulgarizamos uma expressão e criamos um monstro!
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A verdade sobre as famosas espera pelas 72 horas de febre
A maior parte das infecções, sejam causadas por vírus ou bactérias, se manifestam através da febre, e apenas depois de 24 a 72 horas, outros sinais e sintomas aparecem; nos permitindo diagnosticar o problema.
Como calcular as 72 horas?


Se a febre começou as 8 horas do sábado esta é a hora zero, e dia zero. Às 8 horas da manhã de domingo, completa as primeiras 24 horas, e o primeiro dia. Na segunda-feira às 8 horas, temos 48 horas, o segundo dia. E na terça-feira se após às 8 horas a febre persistir, ligue para o seu/sua pediatra e pergunte se ele (a) pode atender seu/sua filho (a) e se não aonde levá-lo (a)
Também é verdade que a maioria das infecções por vírus são benignas, auto-limitadas, ou seja, o organismo é capaz de reconhecer a agressão e responder à mesma em 7 a 10 dias, sem precisar de ajuda ("remédios").
Nossas avós sabiam disso e enfrentavam a situação sem dramas.
Mas, desde que começamos a usar medicamentos (mais especificamente antibióticos) criamos uma sociedade que deseja, com todas as forças, ter "remédio" para todas as coisas. E logicamente, "remédios" seguros, sem nenhum evento adverso e que ajam rapidamente!
Ah, só mais um parênteses: antibióticos são contra bactérias e não agem contra vírus, quando precisamos tratar alguma virose usamos antivirais!
Então os pais levam à criança febril ao pronto socorro, logo nas primeiras horas, e exigem diagnóstico e tratamento. Imediatamente!
E se o "incompetente" do (a) médico (a) não pedir radiografia e/ou outros exames, e pedir para que esperem as famosas 72 horas... Ele (a) não presta!
Mas temos de ter esta paciência para ver o que vem pela frente: vômitos e diarreia? obstrução nasal, tosse, chiado? coceira e lesões na pele?
Entenda que, eventualmente, podem aparecer sinais e sintomas de infecções bacterianas (otites, amigdalites, por exemplo) e antibióticos devem ser usados porque contra as bactérias raramente nosso organismo consegue responder sem ajuda ou sem prejudicar a nossa saúde de forma importante. E, não, não é culpa do (a) pediatra!
Como resolver a questão?
1- Vacinação: doenças que podem ser evitáveis, devem ser evitadas! Clique aqui para conhecer o calendário vacinal adequado, segundo as sociedades de pediatria.
2- Capriche na Educação Alimentar, na prática e exercícios físicos e em ficar ao ar livre. Crianças que tem uma alimentação saudável, praticam esportes e são expostos a luz solar e vento são mais resistentes às doenças. (Sei que é lugar comum, mas não custa lembrar).
3- No invernos, época em que as infecções respiratórias transmitidas por via respiratória (gripes, resfriados, etc), mantenha as janelas ABERTAS e o ambiente ventilado; isso reduz o risco de ganhar uma infecção.
4- Calma e paciência. Raras crianças vão passar pela infância sem resfriado, diarreia (tecnicamente gastroenterite), e a famosa gengivoestomatite.
5 - Logo na primeira visita com o (a) seu/sua pediatra acorde com o (a) profissional: o que fazer quando a criança apresentar febre? quando entrar em contato com ele (a) e assim por diante (veja o post sobre febre ). Assim a família estará preparada para esse momento, sem precisar transformar isso em crise, drama e ópera.
6- O mais importante neste período de espera e resolução não é comer! É beber! A criança vai perder a fome e ficar mais "chatinha", ninguém morre nesses 7-10 dias comendo pouco. Pode até perder um pouco de peso, mas esse será recuperado rapidamente. Mas sem líquidos acontece a desidratação, e essa pode ser rapidamente fatal. Ofereçam líquidos frequentemente e insistam no consumo deles.
(Em tempo: refrigerantes não são um dos líquidos que devam ser oferecidos. Vejam que dado horrível do IBGE no Brasil uma a cada três toma refrigerante antes dos 3 anos de idade. Leiam e entendam o tamanho do problema))
7- Não tenha medo de perguntar qualquer coisa ao seu/sua pediatra. Faça isso antes de tomar qualquer conduta (dar remédios, mudar alimentação...). Essa é a função dele (a) e foi por isso que ele (a) escolheram esta profissão.


sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Moda, roupas e ídolos! Isso também faz parte da vida dos nossos filhos!

A forma como nos vestimos expressa a nossa individualidade. Basta ver as fotos abaixo e você vai entender qual a "praia" ou "tribo" pertence.

Com as crianças isso também é verdade. Por volta dos 4 anos, os pequenos já querem se vestir sozinhos e escolher suas roupas.
Pesquisa feita pela Universidade de São Paulo, no Brasil, a moda para as crianças não é "escolher um look" ou reproduzir as passarelas, para os pequenos é uma forma de conhecer melhor o seu corpo e seus gostos, ainda em formação. As escolhas das crianças refletem as regras da comunidade que elas se inserem e as regras de conduta que estão sendo comunicadas a ela. Esses fatores são a base do comportamento, valores e gostos das pessoas.

Minha experiência pessoal sobre identificação com ídolos/personagens
Os personagens de histórias, filmes, desenhos, livros e os ídolos/personalidades que as crianças passam a admirar influenciam essas escolhas e os comportamentos das crianças. 
Minha filha Beatriz passou a querer bater com bonecos nas pessoas e chama-las pelas suas características físicas... Mas, como? Ela nunca observou este comportamento na escola e/ou em casa... E então, eu descobri! Os desenhos animados da Turma da Mônica! Foi uma surpresa, os personagens do Maurício de Souza f(um cara que considero gênial, sou grande admiradora do seu trabalho) foram parte da minha vida, a vida inteira e eu não tinha observado o contexto:
- A Mônica resolve tudo agredindo os colegas;
- O Cebolinha ofende a Mônica verbalmente o tempo todo (Gorducha, dentuça...)...
Com 3 anos a minha filha não estava pronta para entender o contexto e relativiza-lo... Então, assisti os filminhos com ela indicando como os comportamentos eram errados. Depois aos poucos fui trocando os desenhos para aqueles que falavam sobre o valor da amizade, da boa educação e etc... 
Quando a minha ficar mais velha e mais madura vai voltar a assistir a Turma da Mônica, mas com ferramentas emocionais suficientes para fazer julgamentos, entender contextos, fazer escolhas e reproduzir - ou não - comportamentos.
Ainda bem que hoje em dia podemos usar a tecnologia para apresentar e permitir o acesso às informações! Como será que faziam quando só tínhamos a televisão?

Primeiro temos de ajudar os nossos filhos a aprender a se vestir:

  • Inicialmente escolha roupas com elásticos e velcros; deixe zíperes, botões e cardaços para depois;
  • Coloque as roupas sobre a cama na ordem que elas devem ser vestidas, ajuda a entender a sequência;
  • Escolha calcinhas e/ou cuecas com faixas contrastantes na cintura e/ou pernas. Ajuda a criança a acertar os buracos!
  • Ensine (em tom de segredo só entre vocês) truques como, por exemplo, deixar a etiqueta sempre para trás, que as estampas das camisetas ficam para frente, o fecho do sapato para o lado de fora e o biquinho dele mostra aonde tem de estar o "dedão".
  • Estimule e NÃO REPREENDA quando eles errarem. Faça uma piada e mostre como colocar a roupa corretamente. (Seu maluquinho.... risos...que engraçada essa ideia de colocar as duas pernas no mesmo buraco das calças, mas acho que vai ser difícil passar o dia pulando igual ao saci... vamos arrumar?)

Navegando na internet encontrei uma mãe corajosa em relação a esse assunto: ela deixou que o filho escolhesse a roupa que ela iria usar! Veja o resultado clicando aqui 

Ok, permitir que a criança se expresse pela sua forma de se vestir é uma forma de estimular a individualidade e a independência, mas na vida prática...
Como fazer para a sua filha não sair vestida de short jeans, botas de chuva cor de rosa e a camisola da pequena sereia  de alcinhas em um dia super frio? Ou seu filho não ir a um casamento vestido de Hulk?

  • Escolha algumas peças, adequadas ao clima e a ocasião, e deixe que a criança escolha qual delas quer usar. Cuidado para não dar opções demais. Um bom número são 2 ou 3 camisetas, 2 ou 3 calças/shorts/saias, 2 ou 3 calcinhas/cuecas, 2 ou 3 sapatos... 
  • Explique enquanto separa porque esta escolhendo essas peças. ("Hoje está um frio congelante, temos de escolher roupas bem quentinhas.")
  • Aceite as escolhas estranhas de vez em quando... não faz mal ir a um restaurante vestida de Branca de Neve ou vestido de Homem de Ferro! (Você também não adoraria se divertir assim?) A fantasia e o faz-de-conta são essenciais para desenvolver a imaginação.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Meu pediatra é demais! Mas, como encontrar este super herói?

Tudo bem... Meu pediatra, doutor Boldrini, já se foi... E deixou tanta saudade que há um hospital filantrópico com seu nome (conheçam e apoiem). que atende oncologia e hematologia infantil...
Mas, quando falo "meu pediatra" hoje em dia me refiro ao Márcio Moreira, o "tio Márcio" da Bia...
A escolha do pediatra foi fácil para mim... Sou pediatra, conheci o Márcio ainda na faculdade, e o vi ser pediatra de muitas famílias amigas... Porém, quem não tem essa sorte/facilidade? Como escolher o pediatra ideal?

Primeira regra: Pediatra é igual a escola, vai depender do que a família espera e como ela quer ser atendida ou se relacionar com o profissional.
1- FUNDAMENTAL: ótima formação acadêmica. Entre na internet e consulte: aonde fez faculdade? aonde fez residência? tem título de especialista pela Sociedade Brasileira de Pediatria?(Se você é de outro país, procure o equivalente). Tem sub-especialidade ou outra titulação acadêmica (mestrado, etc...)? Ele (a) é citado em algum site (revista sobre crianças, revista especializada para médicos, congressos...)? Faz parte de alguma equipe pediátrica de algum hospital que você confia? Pode não ser o fator determinante, mas é um indicador de qualidade.
2- INDISPENSÁVEL EMPATIA: ele (a) tem o seu estilo? Vocês (pai e mãe, mãe e mãe, pai e pai, ou qualquer outra conformação familiar) precisam de explicações nos "mínimos detalhes" ou apenas quer saber o que e como fazer sem muito "blablablá"? Vocês acreditam e segue homeopatia, medicina antroposófica, chinesa? Se vocês são vegetarianos (as), veganos (as), macrobióticos (as) esse (a) profissional é capaz de se adaptar e orientar nestas escolhas para o sue filho (a)?
Pergunte no que ele (a) acredita sobre: aleitamento materno, circuncisão, dormir com os pais, responder ao choro, alimentação, uso de medicamentos para febre ou infecções... Combina com as crenças da sua família? 
Em segundo lugar: Acessibilidade
1- Aonde é o consultório? Vocês usam transporte público: há alternativas para chegar ao consultório?Vocês são adeptos do ciclismo: é fácil e seguro ir de bicicleta, com uma criança, até lá? Vocês usam carro: tem estacionamento?
2- Horários de atendimento? Se vocês não têm horários de trabalho flexíveis, esse (a) profissional atende após o horário comercial ou aos finais de semana?

3- Disponibilidade: você terão acesso ao celular, whatsapp do (a) profissional? Ele (a) tem uma outra pessoa que o (a) cubra durante as férias?  Atende pelo seu convênio ou o valor do sue reembolso é adequado ao valor da consulta?  
Historinha: Quando eu atendia uma vez ouvi: "como assim, você vai tirar férias? E se acontecer alguma coisa, como eu fico?" Bem, esta mesma pessoa, em um feriado, apesar de ter o nome da colega que iria me cobrir e indicação de pronto socorro para urgências, conseguiu achar o telefone dos meus pais e obter deles o telefone da casa da minha avó em Minas Gerais.... e disse que não tinha usado o celular ou o bip (velha esta história) com medo que eu não atendesse!
Dica: respeite o seu/sua médico (a), ele (a) é gente, como você!
4- Hospital de referência indicado pelo profissional: Dê preferência a profissionais que acompanhem seus pacientes quando eles são hospitalizados e pergunte sobre o credenciamento dele (a) nos hospitais da região. As mesmas perguntas do item 1 e as de ordem econômica/financeira do item 2 devem ser consideradas.
 Quando escolher? O que mais considerar?
1- Se você está grávida procure uma consulta pré-natal, por volta da 30ª - 32ª semana (assim você pode avaliar com calma vários profissionais). Se você vai adotar, assim que você for considerado apto pelo poder público a entrar no cadastro de potenciais famílias adotantes.
2- Na consulta pré-natal vocês foram bem atendidos? As respostas às suas questões foram claras? O consultório estava adaptado aos pequenos (brinquedos, livros, área de espera, água facilmente acessível)? 
3- Se você não é médico ou tem médicos na família (nesse caso ouça seu familiar), converse com os amigos, peça indicações e pergunte porque gostam daquele profissional. Se você tem médicos de confiança, pergunte a eles.
Por último, se no meio do caminho não deu certo... Troque! Essa é uma relação de confiança que tem de ser muito forte!

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

FEBRE e agora? Vamos acabar com a "febrefobia"?

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O que é febre?
Febre é elevação da temperatura do corpo, acima do dos valores normais.
Mas quais são os valores normais?
Se fizermos uma "enquete" a grande maioria das pessoas responderiam que é 37ºC. Mas, isso não é uma verdade absoluta, a temperatura normal depende:
  • da idade da criança: até um ano (o chamado lactente) a temperatura da criança é maior do que a do adulto, à partir daí ela diminui e se aproxima da do adulto.
  • sexo: a temperatura é mais alta nas mulheres e se altera de acordo com o ciclo menstrual.
  • horário: às 3 horas da manhã observamos a temperatura mais baixa do dia e alcançamos a mais alta por volta das 17 horas. Essa diferença já é observada aos 6 meses de idade (+ 0,5ºC), aumenta à partir dos 2 anos e chega a diferenças maiores aos 6 anos (0,9 - 1,1ºC)
  • atividade física intensa
  • lugar da medição: temperatura retal é maior do que a bucal, que é maior do que a axilar.
Então, não há temperatura normal e sim uma faixa de temperatura normal.

Febre: amiga ou inimiga?
Desde o século passado vivemos uma "fobia da febre" que leva ao diagnóstico errôneo, uso excessivo de medicamentos e pior, estresse dos pais e/ou cuidadores. Então vamos comparar:

O que devo fazer? Correr para o hospital? Ligar para o pediatra? 
Gritar "eu quero a minha mãe?
1- Tenha certeza que seu filho está com febre... Cansei de atender o que chamo de "síndrome da criança no forno e mãe/pai inexperientes": crianças (especialmente as menores de 6 meses) super agasalhadas! Geralmente enroladas em cobertores (porque iam sair ao ar livre e poderiam "se resfriar", e "criança sente mais frio que adulto"...). Então observe a roupa que você está usando e deixe a criança com a mesma quantidade e "estilo", só depois de uns 15 minutos assim, faça a nova medição.
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2- Mantenha a criança em um lugar arejado e bem ventilado. Ela pode ser mantida ao ar livre, evite exposição ao sol (aumenta a temperatura corpórea)
3- Não agasalhe, nem dispa a criança. Deixe-a com as roupas adequadas para a temperatura ambiente. 
4- Se ela disser que está com frio, a conforte com um cobertor
5- Líquidos devem ser oferecidos com freqüência. Insista! Mas, não o suficiente para incomodar seu (sua) filho (a). Ele está desconfortável e não merece "blábláblá"
6- Ofereça alimentação normalmente, respeite o apetite da criança. Febre reduz a fome... Mas, usar um antitérmico não vai mudar esta situação.
7- Banho pode ajudar e confortar algumas crianças, mas observe, se a criança se queixar de desconforto, tremores e arrepios: tire-o já daí! NUNCA coloque álcool na água do banho, eu sei que dá um efeito "geladinho" que parece agradável, mas quando o álcool evapora ele aumenta a temperatura do corpo!
Quando devo dar antitérmicos?
1- Os consensos pediátricos e de infectologistas indicam usá-lo à partir de 38,2ºC. Mas, eu pessoalmente não costumo ser radical... se a criança manifestar visível desconforto, ou dor, e reclamar, vá em frente!
2- Qual usar, como? Converse com o seu (sua) pediatra e peça as orientações em relação a isso. Aproveite e já combine com ele (a) quando você deve acioná-lo (a).
Mas, se eu não der remédio... meu/minha filho (a) vai convulsionar!
E se convulsionar pode ficar com problemas pela vida toda!
MITO
1- Usar antitérmico não reduz o risco de convulsão febril...
2- A convulsão febril não acontece em todas as crianças, e sim em uma minoria delas. (depende da genética). Ela só ocorre entre 6 meses e 6 anos de vida, e nas primeiras 24 horas de febre, geralmente não volta a acontecer nos dias (e febres) seguintes. (Se a criança convulsionar antes ou depois dessa faixa e estiver com febre: vá imediatamente para o pronto socorro.)
3- A convulsão febril na grande maioria das vezes é benigna, ou seja, não deixa sequelas (problemas), não mata, não afeta a inteligência ou desenvolvimento da criança. Quem teve convulsão febril não vira um epiléptico.
4- Geralmente acontece apenas uma vez na vida da criança, mas pode ser mais frequente naquelas em que a primeira vez aconteceu antes do 1º ano de vida.
5- Aprenda mais sobre convulsão febril e como atendê-la com a Sociedade Paulista de Pediatria
Bandeira vermelha: quando correr para o Pronto Socorro 
e/ou ligar imediatamente para o (a) pediatra?
1- Febre em bebês menores de 3 meses, especialmente recém nascidos.
2- Temperaturas superiores a 39,4º C, especialmente se associada a calafrios
3- Quando a criança ficar muito "caidinha", devagar (sem responder a estímulos) ou muito irritada, pálida ou com a pele cheia de manchinhas avermelhadas
4- Febre por mais de 3 dias (72 horas). 
Como contar 3 dias ou 72 horas? Se a febre começou as 8 horas do sábado esta é a hora zero, e dia zero. Às 8 horas da manhã de domingo, completa as primeiras 24 horas, e o primeiro dia. Na segunda-feira às 8 horas, temos 48 horas, o segundo dia. E na terça-feira se após às 8 horas a febre persistir, ligue para o seu/sua pediatra e pergunte se ele (a) pode atender seu/sua filho (a) e se não aonde levá-lo (a)